Santo Antônio Negro – A educação como instrumento de combate a violência

Como estávamos na semana da consciência negra a aula do dia 23 de novembro de 2017 foi substituída pela mesa que estava acontecendo na UFRB, com a temática da educação como instrumento de combate a violência.
A primeira palestrante foi à professora da rede básica de Salvador Jucy Silva, participante do Instituto Cultural Beneficente Steve Biko. O qual foi fundado em 31 de julho de 1992, por iniciativa de professores e estudantes negros e negras que criaram o primeiro curso Pré-Vestibular voltado para negros no Brasil.. O Instituto surge, então, buscando a inserção dos negros no espaço acadêmico como estratégia para sua ascensão social e o combate à discriminação racial. 
Em sua pedagogia, o Instituto diferencia-se pela disciplina Cidadania e Consciência Negra – CCN -, que pauta em sala de aula, a autoestima e as lutas do povo negro no combate ao racismo. Na disciplina, estudantes são levados a resgatar a cultura afrobrasileira, destacando a religiosidade, a ancestralidade e trajetória de ativistas referências na luta contra as desigualdades. Com isso, a Biko busca influenciar a postura e pensamento dos jovens negros.
 A palestrante ainda falou sobre outros profissionais dentro do instituto como a psicologia e assistência social, que são pra dar conta de questões que vai além da educação. E que muitos estudantes chegam sem conhecer o espaço que está inserido (no caso Salvador), existe o acesso a bens culturais em que eles conhecem bairros, museus, histórias. A importância do Steve Biko para estimulo de novos cursinhos: “Quilombos Educacionais”.
O outro palestrante foi o professor, escritor, poeta Wesley Correira em que iniciou sua fala com as paredes das escolas e universidades, que ainda representam fonte absoluta de aprendizado. Ele citou Paulo Freire e Pedagogia do oprimido para enfatizar que o aprendizado vai além dos espaços formais. E que os livros didáticos ainda trazem à história dos negros restrito a escravidão (como imagens do navio negreiro, troncos) reforçando a ideia de distanciamento de uma identidade.
Os ataques as politicas de base, os avanços da educação com interesse lucrativo, a politica de cotas através de lutas em que hoje é possível acessar através de universidades e concursos.
Como referência ele citou o livro de Neusa Santos “Tornar-se negro: as vicissitudes da identidade do negro brasileiro em ascensão social”. E como as práticas docentes ainda são excludentes, e a reprodução de práticas condenáveis dentro dos movimentos negros. Finaliza com um conto feito por ele que estará no seu novo livro.

Dicas
Vídeo criado pelo professor André Azevedo de Fonseca em que traz da abolição da escravidão às cotas raciais, as lutas pela liberdade que começaram há séculos e ainda não foram concluídas. E mostra o longo caminho para o fim da discriminação racial no dia da consciência negra. 


Referência: SILVA, Jucy. Instituto Cultural Steve Biko. Disponível em: <https://www.stevebiko.org.br/>. Acesso em: 23 nov. 2017. 

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